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Escrito por Retalhos às 15h43
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"Mombojovens"
A ‘Retalhos’ bateu um papo virtual com Marcelo Campelo, da banda Mombojó, formada em 2001 em Recife (PE). O músico conta sobre o início da carreira em Festivais como o Abril pro Rock, a influência de ritmos e as experimentações no trabalho. Confira o que diz quem não teve medo de utilizar o ‘download’ como produtor direto!
Escrito por Retalhos às 15h39
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Retalhos - Mombojó? Qual a definição para o nome dado à banda e quais suas principais características, aquelas que definiriam o perfil do grupo? Marcelo Campello - Somos um grupo de música pop que se reuniu na base da amizade e que ganhou contornos mais sérios desde 2002, com uma bem-repercutida apresentação no festival recifense Abril pro Rock.
Escrito por Retalhos às 15h38
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R. - A quê vocês atribuem o destaque que a banda tem conquistado no novo cenário musical brasileiro? E o que acham das aspirações da mídia que, entre outros comentários, citam a banda como sucessor natural do Los Hermanos (Revista Bravo!) e promessa para "estourar" em 2006 (caderno Folha Ilustrada, Folha de São Paulo)? M. - Atribuímos à espontaneidade do processo criativo, ao gosto pela pesquisa de timbres, e ao fato de termos preenchido uma lacuna importante no Brasil que foi representar um exemplo de banda independente lançando um disco nas bases do copyleft, ou seja, "legalizando" a pirataria para fins não-comerciais do disco (leia-se "download caseiro de mp3").
Escrito por Retalhos às 15h37
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R. - Como o Mombojó encara a comparação com a banda Los Hermanos? Acreditam terem sido, de alguma forma, influenciados ou trata-se de um equívoco dos críticos? M. - Não houve influência direta, acredito que seja mais um caso desses onde se chega a resultados semelhantes em lugares diferentes do mundo, pelo que se consome na época.
Escrito por Retalhos às 15h37
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R - A dificuldade em taxar uma característica única para o trabalho faz parte das expectativas do grupo ou aconteceu em decorrência de seu caráter alternativo e, de certa forma, experimental? M. - Há grupos que trabalham diretamente com gêneros, digo, ritmos estabelecidos, como forró, drum'n'bass, essas coisas. Preferimos a liberdade para criarmos nossas próprias "batidas" e temos o gosto por harmonias até certo ponto elaboradas, dentro da perspectiva da música pop, que é onde acho que se encaixa melhor e sem estígmas o CD da banda na prateleira de uma loja.
Escrito por Retalhos às 15h37
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R. - A (re)integração e preservação de ritmos distintos – como samba, bossa nova, rock sessentista e trip hop – é proposital ou surge naturalmente? Vocês impõem essa característica que os diferencia como condição no processo de produção das músicas ou o estilo encontra liberdade na criação? M. - Nosso primeiro disco tem muito essa característica, mais pelo fato de que éramos adolescentes e buscávamos uma identidade sonora e mesmo pessoal. Tínhamos que nos "agarrar" em nossas referências. Na medida em que vamos amadurecendo, e isso não tem fim, vamos nos libertando disso e criando linguagens mais comprometedoras.
Escrito por Retalhos às 15h36
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R. - É interessante assistir a uma banda jovem – já que os músicos tem cerca de 20 anos de idade e estão no mercado há apenas 5 anos, aproximadamente – executar um trabalho de resgate da cultura brasileira feita através da música, que é um suporte acessível a infinitos grupos. Há uma consciência da importância e do alcance desse trabalho, enquanto difusor cultural? M. - Lembro que despertei meu interesse em ter uma banda quando assisti a uma apresentação de Chico Science & Nação Zumbi num Abril pro Rock no Circo Maluco Beleza. Eu era uma criança, tinha 12 anos, por aí. Então, quando vejo fãs muito jovens penso que isso deve ocorrer também, acho muito legal.
Escrito por Retalhos às 15h36
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R. - A principal difusão do trabalho do Mombojó foi dada pela Internet. O "download" tem agora um novo significado para o grupo?! Qual? M. - Foi a coisa mais acertada que fizemos, em termos de estratégia de distribuição. A realidade das bandas independentes hoje é se tornarem conhecidas através da Internet e sustentar-se pelos chachets das apresentações. As gravadoras precisam lidar com esta nova realidade de o CD material não ter o mesmo peso de antes.
Escrito por Retalhos às 15h36
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R. - Outras bandas, como o Cansei de Ser Sexy, também alcançaram o reconhecimento pelas mídias tradicionais após uma aceitação do público via Web, o que comprova a idéia desse novo meio de propagação musical. Quais os aspectos favoráveis e prejudiciais que vocês vêem nessa nova tendência? M. - Definitivamente. Não consigo enxergar aspectos prejudiciais em democratizar a informação.
Escrito por Retalhos às 15h35
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R. - Há algum critério utilizado na produção do CD que tenha como função delimitar um público alvo, restrito? M. - Não existe esse tipo de pré-meditação. A música é feita de forma a agradar-nos e sabemos que, como nós, haverá outras pessoas mundo afora que se identificarão também.
Escrito por Retalhos às 15h35
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Fr a gm ent os Nordestinos
Foi ao sentir o ar seco em suas narinas que atentou para a situação. A imagem árida, palidecida, tomou-o de assalto. Acompanhou o momento em que a mulher saiu de seu casebre rumo à fossa, maquiada por cactos. À direita avistou duas crianças, desnudas, a ensaiar passos de uma dança aparentemente feliz. Incoerente. A mulher movimentou-se novamente – atraindo sua atenção – e caminhou até um homem magra, de pele queimada pelo sol e cabelos empoeirados. O homem a entregou um embrulho e entrou na casa. Ela sentou-se, olhou para as crianças e baixou a cabeça sob o sol impávido. Ao fim do transe, se deu conta da breve alienação a qual se submeteu. Leu o nome da tela e saiu, às pressas, da galeria onde estava.
Escrito por Retalhos às 15h11
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Corte e costura, em Retalhos
Ao canto da sala, numa cadeira funda de madeira velha, uma simpática senhora costura, incansavelmente, uma grande colcha. Sobre o colo da senhora um emaranhado de tecidos perdiam-se entre pequenos quadros coloridos. Com cuidado, a senhora escolhe as peças a costurar. Emenda uma a uma, com prespontos curiosos. Os quadros em pano, cortados irregularmente, ilustram diferentes cenários. Flores, listras, bolas, estampas e crus. Rosas, vermelhos, amarelos e azuis.
A Atividade Cultural Retalhos – Comunicadores de Brasil inspirou-se nessa senhora para realizar um trabalho de integração da cultura brasileira. Assim, como a atenta velhinha, observamos os cenários que compõem a enorme colcha, cuja chamaremos: Brasil. Os retalhos picotados, de distintas estampas, retratam a diversidade cultural que o país abriga. Os integrantes dessa atividade atuam enquanto ‘tesouras’ e ‘agulhas’ ao recortar costumes e tradições de um canto e costurá-los em outro.
Os então alfaiates da cultura brasileira trabalham, a cada edição, com uma região em especial. Estreamos com a cultura nordestina, de retalhos áridos em cores fortes de ‘oloduns’, ‘frevos’ e ‘maracatus’. Os retalhos musicais costuram tradição à novas tendências, com músicos experimentalistas conscientes como os ‘mombojovens’. Os retalhos de cenários tristes, pintados por Walter Salles e Sérgio Machado, em Abril Despedaçado e Cidade Baixa são costurados ao lado de percussores do cinema nacional, como Glauber Rocha; e atores consagrados em terras de humor seco, como Selton Mello.
Ou, ainda, os retalhos poéticos costurados sob diálogos em narrativas musicadas pelo poeta Azambuja. Ou retalhos rimados em cordel para resgatar uma linguagem. Ao costurar com os dedos despidos de dedais, convidamos você, leitor, para participar de tal confecção. E esteja a vontade para customizar suas peças!!!
Escrito por Retalhos às 15h10
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Então, de súbito, ergueu as mãos e exibiu o punhal que trazia consigo. Olhou fixamente à sua frente. As sobrancelhas, franzidas firmemente, indicavam uma determinasção temerosa. Mas as retinas, trêmulas, denunciavam a curiosidade. Instigado, golpeou-o. Lances desenfreados. Ele estava tomado pela fúria, pela ignorância. Ofegante, observou a cena. E contemplou o que havia retalhado.
Escrito por Retalhos às 15h02
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